Desenvolvimento de nanocarreadores lipídicos funcionalizados com lectina para o tratamento da tuberculose por via pulmonar
Autor: Gabriela Hädrich (Currículo Lattes)
Resumo
A tuberculose é uma doença infecciosa causada pelo bacilo Mycobacterium tuberculosis. Segundo o último relatório da Organização Mundial de Saúde, a tuberculose continua sendo um grande problema de saúde global. Combinações de fármacos por no mínimo 6 meses são necessárias para o sinergismo terapêutico e para a prevenção do surgimento de resistência aos antimicrobianos. No entanto, o tratamento prolongado associado à toxicidade leva a falta de adesão dos pacientes e desenvolvimento de resistência aos antimicrobianos. Sendo assim, a descoberta de novos compostos, aliada a novas estratégias terapêuticas, vem sendo o foco das pesquisas recentes. Com intuito de diminuir a resistência tem sido estudado a associação de antimicrobianos, com compostos inibidores de bomba de efluxo, como a quercetina (QU). No entanto, estes compostos apresentam baixa biodisponibilidade. Nesse contexto, o uso de nanocarreadores lipídicos visando a encapsulação de fármacos parece ser uma estratégia interessante no que diz respeito à melhoria das propriedades biofarmacêuticas dos fármacos. No entanto, para estudar a segurança da administração dos nanocarreadores seria importante avaliar a biodistribuição e farmacocinética dos mesmos por bioimagem, incorporando polímeros conjugados (PCJ), que possuem alta fotoestabilidade e brilho fluorescente. Além disso, a via de administração das formas farmacêuticas é fundamental para a distribuição adequada do fármaco no sítio de ação. No caso da tuberculose pulmonar, a via mais favorável para alcançar os alvéolos seria a via pulmonar. Sendo assim, o desenvolvimento de nanocarredores lipídicos para administração pulmonar seria interessante para aumentar a eficácia do tratamento e diminuir a resistência aos fármacos. Por outro lado, um dos desafios da terapêutica é distribuir o fármaco somente no local da injúria para que não ocorram os efeitos colaterais relacionados a distribuição do mesmo em outros tecidos. Para isso, a funcionalização da superfície das partículas com ligantes específicos, tais como lectinas, teria o intuito de direcionar os nanocarreadores ao órgão desejado, além de melhorar a biodisponibilidade do composto encapsulado e atingir alvos intracelulares, no caso, o bacilo da tuberculose nos macrófagos dos alvéolos pulmonares. Desta forma, esta tese teve como objetivo o desenvolvimento de nanocarreadores lipídicos funcionalizados com a lectina WGA, encapsulando QU e PCJ, para tratamento da tuberculose por via pulmonar e avaliar a sua eficácia terapêutica in vitro. Primeiramente foi estudado a influência de diversos excipientes para a produção de nanocarreadores lipídicos para administração pulmonar, testado sua citotoxicidade contra linhagem celular de macrófagos e sua atividade biológica contra cepa pan-sensível de Mycobacterium tuberculosis. O nanocarredor que apresentou os melhores resultados foi então escolhido para a funcionalização com proteína WGA, encapsulação de QU e PCJ e avaliação da captura dos nanocarreadores por macrófagos. Os resultados demonstraram que as nanopartículas sólidas lipídicas (SLN), carreadores lipídicos nanoestruturados (CLN) e nanoemulsões (NE) foram desenvolvidos com sucesso (~150nm). Os CLN não apresentaram citotoxicidade in vitro e apresentaram as melhores características para administração por via pulmonar, sendo funcionalizados com lectina WGA por uma técnica de post-inserction. A QU apresentou atividade frente ao Mycobacterium tuberculosis, sendo escolhida para ser encapsulada aos CLN. O sistema foi capaz de encapsular 1,1 mg/ml de QU que foi liberada de maneira controlada in vitro. Também foram encapsulados PCJs nos CLN para os estudos de captura dos nanocarreadores por macrófagos. Uma maior intensidade fluorescente foi observada no interior dos macrófagos quando expostos aos CLN funcionalizados com WGA, o que não ocorreu com os CLN não funcionalizados. Sendo assim, os CLN funcionalizados com WGA apresentam características importantes para serem empregados no tratamento da TB por via pulmomar. A funcionalização com a lectina WGA aumentaria a fagocitose dos nanocarreadores e o desenvolvimento de uma forma farmacêutica pela via pulmonar facilitaria a adesão do paciente ao tratamento proposto e diminuiria os efeitos adversos relatados na terapia convencional.
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