EPIDEMIOLOGIA MOLECULAR DO HERPES VÍRUS HUMANO EM TECIDO PLACENTÁRIO E PERFIL SOROLÓGICO EM PARTURIENTES ASSINTOMÁTICAS E NEONATOS ATENDIDOS EM UM HOSPITAL UNIVERSITÁRIO NO EXTREMO SUL DO BRASIL
Autor: Fabiana Finger Jardim (Currículo Lattes)
Resumo
A infecção pelo vírus herpes simples (HSV) é uma das doenças mais prevalentes ao redor do mundo. O HSV-1 comumente causa infecção orolabial, mas também pode infectar a mucosa genital. Em contraste, o HSV-2 é geralmente genital. O herpes genital, quando ocorre em mulheres grávidas, carrega o risco de transmissão vertical para o neonato. A infecção no recém-nascido, embora rara, está associada a uma alta morbidade e mortalidade. Os objetivos do presente estudo foram: 1- estimar a prevalência da infecção pelo HSV-1/2 nos lados materno e fetal da placenta de parturientes atendidas no Hospital Universitário de Rio Grande (HU-FURG),RS; 2- estimar a prevalência da co-infecção HSV-1/2 em parturientes; 3- estimar a soropositividade de anticorpos anti-HSV-2 em parturientes e no cordão umbilical de neonatos; 4- analisar a correlação entre a soropositividade dos anticorpos anti-HSV-2 e a infecção pelo HSV-2 na placenta; 5- avaliar os fatores de risco associados à infecção placentária por HSV-1/2; e 6- comparar os resultados sorológicos do HSV-2 com os resultados moleculares. A identificação do DNA do HSV-1 e HSV-2 foi realizada pela técnica de nested-PCR e a analise sorológica foi realizada por ELISA. Na primeira etapa do estudo, 422 gestantes foram avaliadas quanto à prevalência de HSV-1 e 2 nos lados materno e fetal da placenta. A prevalência do HSV-1 e do HSV-2 foi, respectivamente, de 28 e 12,6% (lado materno) e de 29,9 e 8,3% (lado fetal). A co-infecção encontrada foi de 3,8% no lado materno da placenta e de 1,9% no lado fetal. O parto vaginal, comportamento sexual (número de parceiros sexuais, doenças sexualmente transmissíveis e não utilizar preservativo), e ainda a presença de HSVs em um lado da placenta, foram fatores de risco associados à infecção por HSV. Baixa renda foi um fator de proteção contra a infecção pelo HSV-2 na placenta. Na segunda etapa do estudo, foi investigada a soropositividade de anticorpos anti-HSV-2 (IgG e IgM) em 185 gestantes e em 133 cordões umbilicais de neonatos, e a correlação com a presença de HSV-2 no tecido placentário. A soropositividade de IgG nas gestantes foi de 29,7%, e anticorpos IgM foram detectados em uma mulher (0,5%). No cordão umbilical de neonatos, a soropositividade de IgG foi de 33,1% e em duas amostras de cordão umbilical o IgM foi detectado (1,5%). A prevalência de HSV-2 no lado materno da placenta foi de 13% e IgG foi detectada em 25% dessas mulheres. No lado fetal, a prevalência de HSV-2 foi de 7% e 15,4% destas mulheres eram soropositivas para IgG. Nenhuma mulher positiva na placenta apresentou IgM. Todas as gestantes eram assintomáticas no momento do parto. Em conclusão, este estudo mostrou uma alta ocorrência dos HSVs no tecido placentário, especialmente do HSV-1, e evidenciou as possíveis vias (ascendente e hematogênica) utilizadas para que cada vírus atingisse esse tecido. Embora a maioria das mulheres positivas na placenta fosse soronegativa aos anticorpos HSV-2, sugerindo infecção recente, a infecção prévia por HSV-2, com reativação viral, foi frequente entre as gestantes assintomáticas, resultando na presença de HSV-2 na placenta, e destacando o risco de transmissão vertical do HSV em mulheres previamente infectadas. O desenvolvimento de pesquisas futuras relacionadas ao efeito da infecção placentária pelo herpes vírus no sucesso da gestação e no desenvolvimento do feto/neonato deve ser pensado, com intuito de melhorar a compreensão a respeito do efeito deletério que o HSV tem nas gestantes e nos neonatos em risco de infecção.
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