Tese - Paula Costa dos Santos

Perfil sorológico para Toxocara spp. em gestantes e neonatos atendidos no Hospital Universitário da cidade do Rio Grande, RS, Brasil

Autor: Paula Costa dos Santos (Currículo Lattes)

Resumo

A toxocaríase humana é uma antropozoonose de distribuição mundial,  que apresenta alta prevalência na população infantil. Entretanto, são raros  estudos que investigam a toxocaríase na gestação e seu impacto no  desenvolvimento fetal. Este estudo teve como objetivos: investigar a associação  da exposição para Toxocara spp. e Toxoplasma gondii em gestantes; verificar o  perfil sorológico de neonatos atendidos no Hospital Universitário do Rio Grande,  RS, Brasil; averiguar os fatores epidemiológicos associados com a sorologia  positiva; pesquisar infecção ativa da toxocaríase em gestantes. Na primeira  etapa do estudo, foram avaliadas 200 gestantes para a presença de anticorpos  para T. gondii e Toxocara spp., sendo registrada associação para estes parasitos  em 8% das gestantes. Além disso, foi observado que gestantes soropositivas  para Toxocara spp. apresentaram maior risco de infecção por T. gondii (p=0,019). Esta coinfecção foi associada com baixo peso ao nascer dos  neonatos. Na segunda etapa do estudo, 280 amostras de soro de cordão  umbilical foram avaliadas para a presença de anticorpos (IgG, IgM, IgE, IgG4) para Toxocara spp. pelo ensaio imunoenzimático (ELISA), associado aos  antígenos de excreção e secreção de T. canis (TES). Os dados epidemiológicos  foram obtidos através de questionário sobre aspectos gerais (contato com  animais, hábitos alimentares, fatores socioeconômicos) e o histórico obstétrico  foram foi obtidos no prontuário de cada paciente. A indicência de anticorpos IgG  para Toxocara spp. nos soros de cordões umbilicais foi de 20%. Foram  identificados como fatores de risco para infecção, a renda familiar e a posse de  cães. Não foi encontrada associação entre transtornos reprodutivos e  soropositividade para Toxocara spp. Neste estudo, não foi detectado no soro dos  neonatos anticorpos IgM e IgE, indicando que não houve transmissão vertical de  Toxocara spp. nessa população. Os anticorpos IgG4 e IgE para Toxocara spp.  não foram encontrados em amostras de soro de gestantes, indicando que não  houve infecção ativa. Os achados do presente estudo enfatizam a importância  do diagnóstico sorológico durante o pré-natal e posterior investigação nesta área  para identificar os fatores de risco associados a esta infecção. Além disso,  estudos sorológicos em amostras de soro cordão umbilical, são importantes  para determinar a exposição neonatal ao Toxocara spp..

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