Pesquisa do PPGCS analisa impacto econômico das internações causadas por acidentes por animais peçonhentos no Brasil e destaca desigualdades regionais

Pesquisa vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde (PPGCS) da Universidade Federal do Rio Grande (FURG), em parceria com a Universidade Federal de Alagoas (UFAL) e a Academia de Ciências Veterinárias da Galícia (Espanha), apresenta dados inéditos sobre a carga hospitalar de acidentes por animais peçonhentos no Brasil. O estudo, intitulado “Hospital burden of accidents involving venomous animals in Brazil from 2014 to 2023”, foi publicado recentemente na revista internacional Discover Public Health.
 
O trabalho é fruto da tese de doutorado da pesquisadora Livia da Silva Freitas, sob orientação do professor Flavio Manoel Rodrigues da Silva Júnior (PPGCS/FURG e UFAL). A investigação contou ainda com a colaboração da professora Mirelle de Oliveira Saes (PPGCS/FURG) e do pesquisador internacional Xesús Feás, da Espanha. Pela UFAL, participaram o professor Odair Alves da Silva e os acadêmicos de medicina Ana Júlia Ferreira Cândido, Jéferson Vieira da Silva Junior e Jhean Claudio Monteiro da Silva.
 
Ao analisar dados de 2014 a 2023, os pesquisadores identificaram um total de 186.367 hospitalizações no país, evidenciando uma tendência significativa de aumento ao longo do período. O custo acumulado para o Sistema Único de Saúde (SUS) ultrapassou a marca de R$ 53,6 milhões (aproximadamente 13,6 milhões de dólares). Um dado alarmante é que as admissões em Unidades de Terapia Intensiva (UTI) responderam por 18,1% dos gastos totais, refletindo o alto custo clínico e financeiro dos casos graves.
 
De acordo com o estudo, as serpentes foram responsáveis pelo maior impacto financeiro direto (mais de R$ 32,6 milhões), enquanto os escorpiões apresentaram o maior volume de notificações, evidenciando diferentes perfis de demanda no sistema de saúde.
 
A pesquisa revela disparidades marcantes entre as regiões brasileiras. Enquanto a região Norte apresenta um elevado volume de internações por serpentes, os custos médios por paciente são inferiores aos registrados no Sudeste. Segundo os autores, esse perfil na Amazônia pode indicar vulnerabilidades logísticas e dificuldades de acesso oportuno a recursos de alta complexidade, ao passo que estados como São Paulo e Minas Gerais concentram quase metade dos gastos nacionais com UTIs para essas condições.
 
O estudo reforça a necessidade de estratégias descentralizadas para a distribuição de soros, especialmente em áreas remotas e territórios indígenas, visando reduzir barreiras de acesso e prevenir sequelas e óbitos evitáveis. Para os centros urbanos, a recomendação é o fortalecimento dos Centros de Informação e Assistência Toxicológica (CIATox) e a melhoria da gestão ambiental.
 
A pesquisa recebeu apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). O artigo completo pode ser acessado pelo DOI: 10.1186/s12982-026-01991-2.