DIssertação - Fabine Santos Karam

Estudo da continuidade do dispositivo intrauterino pós-placentário em puérperas no extremo sul do Brasil

Autor: Fabine Santos Karam (Currículo Lattes)

Orientadora: Profa. Dra. Carla Vitola Goncalves

 

Resumo

A inserção do dispositivo intrauterino (DIU) no período pós-parto imediato permite que a mulher, ainda em ambiente hospitalar, tenha acesso a um contraceptivo de longa duração, reversível e seguro. Sendo assim, este estudo teve como objetivo avaliar as taxas de continuidade, expulsão, retirada, reinserção e mal posicionamento do DIU pós-placentário (DIU-PP) no exame de ultrassonografia. Trata-se de um estudo transversal censitário, seguido de um acompanhamento prospectivo longitudinal, que incluiu todas as mulheres que colocaram DIU-PP. A primeira fase ocorreu na maternidade, no período de 1º de janeiro a 31 de dezembro de 2024, e incluiu todas as puérperas com feto maior que 500 g ou 22 semanas de gestação. Na segunda fase, foram incluídas todas as gestantes que inseriram o DIU-PP durante a primeira fase do estudo. A identificação das mulheres que receberam o dispositivo pós-placentário foi realizada por meio da revisão de prontuários médicos físicos e eletrônicos. Nas duas fases foi utilizado um questionário pré-codificado com informações sociodemográficas e obstétricas, bem como dados referentes ao retorno para revisão, continuidade ou expulsão do DIU, retirada, reinserção e as queixas mais frequentes relatadas pelas pacientes na consulta de seguimento. Também foi avaliada a presença do fio do DIU ao exame especular e seu posicionamento em ultrassonografia transvaginal. Os dados foram categorizados, seguido do cálculo das frequências e da análise de associação entre expulsão e mal posicionamento do DIU-PP em relação a via de parto. Das 244 mulheres que inseriram o dispositivo intrauterino no pós-parto imediato, 157 (64,3%) retornaram para revisão. Entre estas, 10 (6,4%) apresentaram expulsão do dispositivo e 40 (25,5%) realizaram retirada, sendo 38 motivadas por mal posicionamento identificado à ultrassonografia e 2 a pedido da paciente. Entre os casos de expulsão do DIU ou retirada por mal posicionamento, mais da metade (27/48; 56,3%) optou pela reinserção do método. A ultrassonografia foi realizada em 91,1% das mulheres, com posicionamento adequado do dispositivo em 73,4% dos exames. A retirada e o mal posicionamento foram significativamente mais frequentes após o parto vaginal. Ao final do acompanhamento, a taxa de continuidade do método foi de 85,4%, considerando-se as recolocações realizadas durante a consulta de revisão. Apesar das elevadas taxas de continuidade e posicionamento correto do DIU-PP, é preciso ampliar a adesão das puérperas às consultas de retorno, ressaltando que, embora o método seja seguro e eficaz, necessita ser revisado com periodicidade.

TEXTO COMPLETO DA DISSERTAÇÃO