ASSOCIAÇÃO ENTRE HÁBITO ALIMENTAR, ESTADO NUTRICIONAL E GRAVIDADE DA ASMA NA INFÂNCIA
Autor: Denise Halpern (Currículo Lattes)
Resumo
Objetivos: Investigar a associação entre hábito alimentar, estado nutricional e gravidade e controle de asma em crianças.
Métodos: Foi realizado um estudo caso-controle nos dois Hospitais Universitários na região sul do Brasil no período de abril de 2012 a maio de 2013. Os casos foram crianças (3-12 anos) com asma persistente (leve, moderada e grave) e os controles aquelas com asma intermitente, emparelhados pela idade. A coleta de dados foi feita mediante entrevista com os pais ou responsáveis pelo paciente, utilizando um questionário padrão, pré-codificado, que constou de informações sobre fatores genéticos, demográficos, socioeconômicos, ambientais, antecedentes pessoais e familiares de asma e de hábitos alimentares. A frequência de consumo alimentar nos últimos 12 meses foi classificada como frequente (≥ 3/semana) ou infrequente (nunca ou < 3/semana). O estado nutricional foi avaliado através do Índice de Massa Corporal (IMC) e da adiposidade através do somatório de pregas cutâneas e circunferência da cintura. Para estimar o grau de associação entre exposições e desfechos, odds ratios (OR) bruto e ajustado e os intervalos de confiança de 95% (IC95%) foram calculados, utilizando a regressão logística condicional ou multinomial.
Resultados: Foram incluídos 268 casos e 126 controles. Os resultados do estudo foram apresentados separadamente em dois artigos. O artigo 1 relatou resultados sobre associação entre hábito alimentar e gravidade de asma. Não foi encontrada associação significativa entre frequência do consumo de determinados alimentos, grupos de alimentos, ou padrão alimentar com gravidade de asma. O fumo materno na gestação, prematuridade e obesidade foram fatores independentes associados com maior gravidade de asma (asma persistente), com OR ajustado (IC95%) de 2,11 (1,08 - 4,13), 2,61(1,07 - 6,35) e 2,89 (1,49 - 5,61), respectivamente. O artigo 2 apresentou resultados sobre associação entre estado nutricional e gravidade de asma. A obesidade (> 2 IMC escore-z / idade) esteve significativamente associada com asma persistente (OR ajustado 2,62; IC95% 1,39 - 4,95). Houve uma relação linear significativa entre IMC escore-z (≤ 1, >1 a ≤ 2, > 2) e o risco de ter asma persistente (p= 0.003 de tendência linear). Crianças com circunferência da cintura acima do percentil 90 tiveram maior risco para asma persistente quando comparadas com aquelas de percentil menor ou igual ao percentil 90 (OR ajustado 3,8; IC95% 1,26-9.06). Nenhuma diferença significativa foi encontrada quanto ao estado nutricional e adiposidade entre crianças em que a asma era controlada através de corticoides inalatórios e aquelas que necessitavam dessas medicações associadas a outras, para o controle da doença. Conclusões: Não se encontrou associação significativa entre o hábito alimentar e a gravidade de asma na infância. Obesidade medida através do IMC e a adiposidade abdominal foram fatores independentes associados com asma persistente, mas não interferiram no tipo de medicação utilizada para o controle da doença. Outros fatores independentes associados com asma persistente foram fumo materno na gestação e prematuridade.